Um empréstimo de R$ 64 milhões do Banco do Nordeste à empresa calçadista Azaléia foi anunciado na manhã de ontem pelo secretário da Indústria, Comércio e Mineração do Estado, James Correia.
“Fiquem tranquilos.
Os empregos na Vulcabrás/Azaléia serão preservados”, afirmou, durante uma entrevista coletiva na sede do Sebrae, em Salvador. Martins explicou que a operação financeira vinha sendo negociada com a participação do governador Jaques Wagner e estabelece a manutenção dos
postos de trabalho como condição para a liberação dos recursos
Todo o polo calçadista emprega 60 mil pessoas, 1,8 mil das quais na Azaléia, maior empreendimento calçadista brasileiro. Além de Itapetinga, mais 11 municípios do sudoeste baiano abrigam fábricas do grupo Vulcabrás/Azaléia. No começo do mês, surgiu um boato de que o empreendimento baiano seria fechado e teria os ativos transferidos para a Índia. No dia 4, através da assessoria, a empresa negou a interrupção das atividades, mas não deu garantias quanto a manutenção dos empregos.

James Correia anunciou ainda que na próxima segunda-feira, uma equipe do governo baiano estará reunida em Itapetinga com deputados federais e estaduais baianos para debater a situação do polo calçadista, um dos setores mais afetados pela concorrência com produtos chineses, importados a valores menores do que o custo de produção aqui.
“Os calçados baianos não são mais exportados, infelizmente”, frisou o gestor, segundo quem Jaques Wagner mantém contatos semanais com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Fernando Pimentel, em que trata do problema no setor de calçados.
O titular da SICM afirmou que o governo da Bahia adota uma estratégia proativa de atração de
emprestimos chineses. O estado mantém um escritório na capital chinesa, Pequim, “para tratar dos interesses de nossas indústrias e também atrair investimentos”.
Além disso, a Bahia vai receber uma fábrica chinesa de sondas para extração de petróleo on shore (em solo), fruto de uma excursão da presidente Dilma Rousseff à China, em abril deste ano, com a presença do governador baiano, do próprio secretário e de uma comitiva da SICM.
Barreiras - James Correia aproveitou a presença da secretária de Comércio Exterior do governo federal, Tatiana Prazeres, para criticar a atuação de estados como Santa Catarina e Espírito Santo.
Segundo o dirigente baiano, estes entes federativos estariam apoiando, via redução fiscal, a entrada de produtos estrangeiros a valores desleais ou ilegais no tocante à concorrência com o similar nacional.
“Por isso, a Bahia está barrando a entrada de produtos do Espírito Santo”, assinalou. “Acho que estas facilidades são portas que deveriam ser fechadas”.
Correia relatou ainda que fez um teste que confirmou a facilidade para se tirar uma guia de importação em apenas dois dias ainda que não exista uma operação efetiva de comprar algum bem do exterior.
Bom desempenho baiano
Tatiana Prazeres esteve em Salvador para lançar o Encontro de Comércio Exterior (Encomex), a se realizar nos dias 3 e 4 de agosto, no Centro de Convenções da Bahia. “Nosso foco será a disponibilização de produtos, serviços e informações necessárias à identificação de produtos para as empresas que exportam ou que podem passar a exportar”, disse.
A Bahia foi escolhida devido ao seu desempenho no comércio exterior – entre janeiro e junho, o montante exportado pelo estado foi recorde, no comparativo com iguais períodos desde 2002, quando o comércio brasileiro estadual começou a ser medido.
A Bahia é o nono estado brasileiro em volume exportado e volume importado, o sétimo em saldo da balança comercial e o primeiro do nordeste nestes indicadores.
Referência : Tribuna da Bahia Online

